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Letramento Digital como uma Competência Essencial do Século XXI

Cristiane Cabral Cristiane Helena de Paula Lima Cabral ·

O ano é 2024 e, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 163,8 milhões de pessoas possuem um aparelho de telefone celular no Brasil. O mesmo órgão estima que 88% da população brasileira tenham acesso à internet. Mas será que estamos preparados para nos conectar com tudo aquilo que está na palma da nossa mão?

Dados divulgados pela Safernet demonstram que no ano de 2023 foram 71.864 novas denúncias de imagens e abuso de exploração sexual infantil online, sendo um recorde de URLs denunciadas desde a criação da organização, em 2005. Em sua helpline aumentaram-se em 125% os pedidos de ajuda, tendo em vista o aliciamento online de crianças e adolescentes na internet.

Ainda em 2023, dados divulgados pelo Ministério da Justiça estimam que houve um aumento em 127% de prisões referentes a crimes de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes na internet.

A Fiocruz Bahia também, no início de 2024, fez o alerta do acréscimo na taxa de suicídio entre os jovens, bem como as notificações por autolesões entre a faixa etária de 10 a 24 anos.

Esses dados são extremamente alarmantes, isso sem citar os constantes casos dos crimes de xenofobia, de intolerância religiosa e tráfico de pessoas online também identificados pela Safernet.

Nessa mesma toada, as notícias falsas vêm provocando grandes problemas na democracia, influenciando em processos eleitorais e também em situações de crise, como nas enchentes no Rio Grande do Sul e na passagem do furacão na Flórida, EUA.

Sabe-se que é indispensável a criação de um espaço seguro na internet onde seja fácil e rápida a identificação de crimes digitais, e também a resposta do Poder Judiciário e das forças policiais contra todos aqueles que tentam se esconder por intermédio de um endereço de protocolo de internet.

Uma das questões mais preocupantes refere-se ao analfabetismo digital, que vai além da simples dificuldade em se manusear um computador, celular ou tablet, ou ter acesso à internet de qualidade, mas passa pela compreensão de toda a linguagem de programação, suas diferenças, seu funcionamento e todos os aplicativos e novas interações que surgem constantemente. Sob esse aspecto, pode-se considerar grande parte da população brasileira como analfabeta digital.

Ao sermos incapazes de identificar as malícias do mundo digital, acabamos por cair nos golpes, sejam os que pedem o envio de quantias de dinheiro ou aqueles que tratam de crimes como pornografia de vingança, aliciamento online, estelionato virtual, dentre outros.

Dentro desse aspecto, é de suma importância que o Estado promova o desenvolvimento do denominado "letramento digital". Por meio da Lei nº 14.533, de 11 de janeiro de 2023, foi instituída a "Política Nacional de Educação Digital", com o propósito de fomentar o ensino para o uso seguro, consciente e responsável da internet e das ferramentas digitais, promovendo alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

Porém, é preciso que essa política pública, além das salas de aula, proveja a todos os cidadãos conhecimentos mínimos para que possam interagir nas redes de forma ética, formando uma população mais crítica, cética e que consiga manusear as ferramentas digitais.

Por mais que enfrentemos problemas em garantir o mínimo para a população brasileira, o letramento digital deve ser considerado como uma competência a ser desenvolvida no século XXI. É imprescindível para o desenvolvimento pacífico da sociedade que o indivíduo seja protagonista da inclusão digital — e, portanto, é preciso que haja a democratização do conhecimento e da educação para que todos sejam aptos a compreender os conceitos mínimos do mundo digital.